domingo, 4 de novembro de 2018

Ser jovem e ser santo.

Por: João Lima

A santidade talvez não está tão longe de nós e, muito menos, é coisa do passado. Muito se discute sobre ser jovem e ser santo, como se ser santo significasse ser careta. Mesmo que sejamos seres concebidos com a mancha do pecado original, temos como escolher fazer com que o peso dos pecados que nós cometemos hoje não destrua a nossa relação com Deus.
É sempre possivel escolher entre as coisas de Deus e o que não vem Dele.
O primeiro passo é se decidir por viver e espalhar o Evangelho.
No namoro, por exemplo, a gente pode escolher o namoro que agrada ao coração de Deus, ou o namoro vulnerável às coisas do mundo. Na festa, a gente pode escolher se divertir com responsabilidade, ou vulgarizar nosso corpo e nossa alma. Em nossos ambientes rotineiros, a gente pode agir como profetas do reino, por meio das nossas ações e palavras, ou podemos ser um contra testemunho de tudo o que Cristo significa. Em qualquer ambiente, cabe a nós agirmos como consagrados ao coração de Nosso Senhor ou não. 
Essas escolhas não são fáceis, mas se fortalecem com muita oração. Quando decidimos entregar nossa vida a Jesus, e nos permitimos ser moldados pela ação do Santo Espirito, então somos preenchidos e transformados segundo a vontade do Altíssimo. A intimidade com o Espírito nos faz mais santos, a cada dia... santos em constante conversão. Mas, isso só é possível com uma busca constante e verdadeira. Lembrando que ser santo não é ser perfeito e nunca mais pecar. A perfeição é Deus.
Maria é um doce exemplo de santidade. Que a devoção a Ela nos ajude seguir seu exemplo de vida. Seguindo Nossa Senhora, estaremos no atalho mais seguro até Nosso Senhor. Ela é a estrela que guia e que ensina a verdadeira cristandade. Maria educa cada filho seu.
Que a cada dia possamos ser mais Dela, para ser mais Dele... para sermos cada vez mais, a imagem e semelhança do Criador.  

... "que eu seja santo, pois Deus é Santo"

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

GRATIDÃO

Por: Jeniffer Munhoz



Incansáveis noites sem dormir, preocupação à solta, nervosismo a flor da pele, correria sem fim e ansiedade que não acabava, era o que resumia vocês a três quase quatro meses atrás, não é? E como é pra vocês depois de tudo, olhar para dentro de si e saber que hoje aqui, estão 80 novas jovens com a mudança estampada nos rostos e que vocês participaram dessa mudança? 
Não sei pra vocês, mas pra gente, a única palavra que define é gratidão. Pois se hoje, o nosso coração transborda o AMOR de Deus, vocês têm muito a ver com isso. 
Nesse caminho difícil que a vida é, com cada aprovação todos os dias passados por cada uma, é inexplicável olhar para o nosso lado e ver que alguém está sempre presente, uma pessoa que nunca nos deixa desanimar, que nos dá palavras de coragem e que lutam para nos ver felizes. Até porque hoje em dia são raras! E olha que máximo? Deus nos dá a vida mas Ele nos dá também a oportunidade de sermos felizes e conhecer pessoas como vocês, como acabei de descrever. Vocês são nossas incríveis descobertas, afloraram o que achávamos que estava perdido, ajudaram a nos devolver o sentido da vida. Poderíamos estar mais gratas? Nossos sorrisos, nos provam que sim! É indescritível o que sentimos por vocês. 
Agradecemos a Cristo por nos dá essa tremenda oportunidade de viver esses três dias, mesmo dormindo pouco, o cansaço nos pegando desprevenidas, o sino da Celinha fazendo maior barulho, os banhos corridos e as calcinhas esquecidas, mas ao raiar do sol, o que reinava era a alegria de poder estar junto dEle e de vocês. O 16º feminino dará a devida importância a cada nascer do sol, pois todo dia será nosso 4º dia, sabemos que não importa o que aconteça, levantaremos a cabeça, daremos uma piscadinha ao céus e diremos: “Obrigada Senhor!” Porém clamaremos “Livrai-nos Senhor, de toda chuva e de todo vento que tentar apagar essa chama, queremos continuar assim: quentes e acesas para que as tuas obras sejam cumpridas por nós, tuas novas servas.” 
Dizer obrigada, não é suficiente para agradecer o tão amáveis e gentis vocês foram conosco, aquelas que nos momentos mais difíceis, nos estenderam a mão amiga e nos ofereceram amparo. Todas as palavras aqui nesse texto são incapazes de retribuir o nosso carinho por vocês. Não esperem que digamos obrigada, porque o nosso agradecimento e demonstração de afeto será agindo, será evangelizando e fazendo novos jovens serem revestidos do AMOR. 
Que possamos caminhar juntas nas mesmas estradas, estendemos nossas mãos para que segurem, se precisar. Só saibam que não estamos sozinhas e que em nossas orações vocês sempre estarão. Seremos sempre as meninas de vocês e o carinho vai existir sempre por cada uma. 
Minhas irmãs, vocês irão nos ver falando muito sobre Ele e Maria estará a frente de tudo, intercedendo. Até porque vocês já ajudaram as sementes florescer, agora é a nossa vez de plantar outras incontáveis sementes por aí. 
Aqueles três dias não se apagarão nunca dos nossos corações. Família, estamos prontas para evangelizar e levar o nome dEle aos quatro quantos dessa terra. 
A Deus toda honra e toda glória! 
Ele conta conosco! ❤ 
Decolores 🌈

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

16º Cursilho para Jovens da Diocese de Santarém

Por: João Paulo Braga




Equipe e Neos do 16º Cursilho para Jovens Masculino

Equipe e Neos do 16º Cursilho para Jovens Feminino

Se tem uma coisa nessa vida que eu não duvido é da Ação do Espírito Santo. Quando entrei neste movimento no ano de 2011 não fazia ideia da proporção que isso teria na minha vida e de como minha relação com a minha fé ficaria extremamente diferente. 
Por muitas vezes eu cheguei a duvidar do que poderia acontecer na minha vida, questionei a forma com que as coisas aconteciam e principalmente, cheguei várias e diversas vezes a fazer chacota da "ação do Espírito", um terrível engano comigo mesmo! São Paulo, nosso padroeiro, precisou cair do cavalo para se converter, e eu tenho absoluta certeza, eu tive essa queda, eu e muitos outros irmãos ao longo dessa caminhada de 49 anos de evangelização em Santarém.
Nos últimos finais de semana 161 jovens foram ao Pedacinho do Céu vivenciar a experiência do Cursilho três dias, 81 rapazes coordenados por Alan Ribeiro e Jonatas Oliveira e 80 moças coordenadas por Juliana Carla e Delmira Lobato refletindo o tema: "Revistam-se do Amor" da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl 3-14).
Engana-se quem pensa que para sentir o efeito do cursilho é preciso estar servindo no pedacinho do céu, nós aqui de baixo sentimos a força da ação do Espírito Santo a cada segundo do retiro, e nossa sintonia de oração era tão forte que esses jovens puderam vivenciar de forma única o sentido de oração e intercessão.
Nossos 161 jovens desceram de Emaús renovados e isso estava estampados em seus rostos, seus olhos falavam, suas bocas cantavam glórias e seus corações estavam tão cheios que transbordavam aos olhos, tanto que a alegria contagiava toda a praça de Aparecida e até mesmo quem não era cursilhista se sentiu tocado pelo Espírito Santo.
Chega ao fim o início de uma missão, porque de agora em diante é nossa responsabilidade fazer esses jovens caminharem, faz parte de nosso compromisso estender a mão quando eles estiverem caídos, é nossa missão iluminar seus caminhos quando a escuridão quiser prevalecer, é nossa missão caminhar não à frente e nem atrás, mas ao lado deles para que eles entendam que o significado de ser cursilhista é justamente esse, estar lado a lado em todos os momentos.
Sabemos que a jornada de vivenciar o 4º dia é um teste diário, mas a confiança no Senhor restaura nossas forças, nos renovam e fazem ter mais gás para caminhar, poder compartilhar desse momento com nossos novos irmãos é justamente se embebedar nessa fonte de força e energia para recarregar as baterias e enfrentar cada vez mais as dificuldades.
O primeiro passo foi tomado, e arrisco dizer que esse era o mais difícil, o de tomar a decisão de ir para o cursilho, de agora em diante é só colocar em prática o que foi ensinado e viver acima de tudo a mensagem principal do seu testemunho e sua vivência em Cristo e com Cristo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Renovação Carismática Católica comemora lançamento do Cristoval 2018 Evento acontece todos os anos durante o período do carnaval.

Por João Lima

A diocese de Santarém está em festa. Junto com a abertura oficial da programação do Círio 100, ocorreu o lançamento do Cristoval 2018. Com o tema “Retornai ao primeiro amor”, o evento ocorre do dia 10 a 13 de fevereiro, no Colosso do Tapajós.

Todo ano, a Renovação Carismática Católica promove um “carnaval com Cristo” para os que buscam uma forma alternativa de curtir esse período do ano. Em Santarém, o “Cristoval” atrai multidões. Em setembro, o conselho nacional do movimento reúne com os coordenadores de cada estado para definir questões de avaliação e planejamento. “Eles se reúnem em um retiro, de uma semana, geralmente em Aparecida, para fazer um momento de avaliação e de planejamento do outro ano”, afirmou Francinaldo Freire, coordenador do Cristoval. Na ocasião, “Retornai ao primeiro Amor” foi o tema escolhido para os retiros de carnaval da RCC em todo o Brasil.

Segundo Francinaldo, há uma necessidade de se reviver o primeiro contato com o amor de Deus, que com a chama de seu Espírito, proporciona uma vida de constante oração e serviço. Muitos persistem fiéis nas obras, mas acabam perdendo o ardor. “Com o passar do tempo, alguns não oram mais, não vão à missa como antes, aí vem a questão do deserto espiritual”. Durante os dias do Cristoval, os participantes serão chamados a “voltar desde o início”, firmando o compromisso de levar uma vida missionária com mais vigor e entusiasmo, guiados pelo fogo do Deus Espírito Santo, retomando práticas espirituais abandonadas ao longo do tempo. Com isso, reafirma-se o princípio de ser sal da terra e luz do mundo, evangelizando os ambientes, fazendo a diferença, cientes de que sempre pode ser feito mais: “se eu não estou fazendo, é hora de fazer; se eu já fiz, é hora de voltar, recomeçar”, disse o coordenador.

A cada ano, alguns aspectos do evento se modificam e seguem tendo a mesma importância. Freire fala sobre a unção que os pregadores e mensagens possuem e transmitem para o público presente, em todos os momentos dos dias que se sucedem. Ele acredita na importância do tema “Retornai ao primeiro Amor” como algo capaz de tocar a vida de quem for prestigiar o Cristoval, inclusive aqueles já ativos dentro da igreja. “Muito embora a gente já leu essa passagem na Bíblia várias vezes, a palavra de Deus ela é dinâmica, nova, sempre atual (...) é ação do Espírito Santo “fazer nova todas as coisas””.

Para 2018, uma mudança animou todos os católicos da cidade. Após anos no Espaço Pérola, o Cristoval retorna ao Estádio Colosso do Tapajós. Como no calendário da CBF não constava nenhum jogo marcada para a quarta-feira de cinzas, a coordenação viu a oportunidade de reutilizar o espaço, muito embora o plano inicial tenha sido a permanência no parque da cidade. No Colosso, além de questões estruturais e economias de gastos favoráveis, são 8.500 lugares preparados para receber pessoas de todos os bairros da cidade. Em reunião com a Secretaria de Transporte, foi acertado que todos os ônibus farão linha para o estádio, a fim de que todos possam ter facilidade de acesso ao lugar.

O Cristoval teve início com o grupo de jovens FAMUEL, da Renovação Carismática Católica, nos anos oitenta. Eles sentiam a necessidade de um retiro espiritual, no período do carnaval, e se reuniam nas dependências do Colégio Dom Amando e da Igreja São Sebastião. Com a participação de jovens vindos de outros grupos da RCC, foi preciso pensar em um lugar maior para a realização do retiro. O local escolhido foi o Centro de Formação Emaús, até o 1989, quando o aumento do número de jovens impulsionou nova mudança. “Em Emaús, muitos jovens ficavam de fora”, comenta Francinaldo Freire. De volta para a cidade, em 1990, o Cristoval ocorreu no Colégio São Raimundo Nonato, aberto ao público em geral, além da juventude. No ano seguinte, retorna ao Colégio Dom Amando, e em 1992, no ginásio do Colégio Santa Clara. Em 1993, o espaço ficou inviável para a realização do evento, levando-se em conta a proporção que ele tomava em termos populacionais. Sendo assim, em 1994, o Cristoval passa a ser realizado no Estádio Colosso do Tapajós. De lá pra cá, apenas duas mudanças: em 2012, o evento ocorreu na Praça do Santissimo; de 2014 a 2017, no Espaço Pérola.

O Movimento de Cursilhos de Cristandade se une a Renovação Carismática Católica abraçando a importância de estar unidos em oração e missão, vivendo diariamente o ardor missionário do primeiro amor. Unidos, todos os movimentos da igreja são mais fortes e constroem cristãos comprometidos a serem “fermento, sal e luz” na vida em busca do Reino.

Fotos: Rômulo Pantoja





quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais Quarta-feira, 24 de janeiro de 2018 Boletim da Santa Sé


A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32)». Fake news e jornalismo de paz
Queridos irmãos e irmãs!
No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como o atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenómeno das «notícias falsas», as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como aliás já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: «Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade»). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade.
1. Que há de falso nas "notícias falsas"?
A expressão fake news é objeto de discussão e debate. Geralmente diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros económicos.
A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas mas verosímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração. A sua difusão pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos.
A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news é devida também ao facto de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homogéneos e impermeáveis a perspetivas e opiniões divergentes. Esta lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação (que poderia colocar positivamente em discussão os preconceitos e abrir para um diálogo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involuntários na difusão de opiniões tendenciosas e infundadas. O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, chegando-se a uma demonização que pode fomentar conflitos. Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, a falsidade.
2. Como podemos reconhecê-las?
Nenhum de nós se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades. Não é tarefa fácil, porque a desinformação se baseia muitas vezes sobre discursos variegados, deliberadamente evasivos e subtilmente enganadores, valendo-se por vezes de mecanismos refinados. Por isso, são louváveis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento. Igualmente louváveis são as iniciativas institucionais e jurídicas empenhadas na definição de normativas que visam circunscrever o fenómeno, e ainda iniciativas, como as empreendidas pelas tech e media company, idóneas para definir novos critérios capazes de verificar as identidades pessoais que se escondem por detrás de milhões de perfis digitais.
Mas a prevenção e identificação dos mecanismos da desinformação requerem também um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a «lógica da serpente», capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estratégia utilizada pela serpente – «o mais astuto de todos os animais», como diz o livro do Génesis (cf. 3, 1-15) – a qual se tornou, nos primórdios da humanidade, artífice da primeira fake news, que levou às trágicas consequências do pecado, concretizadas depois no primeiro fratricídio (cf. Gn 4) e em inúmeras outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação. A estratégia deste habilidoso «pai da mentira» (Jo 8, 44) é precisamente a mimese, uma rastejante e perigosa sedução que abre caminho no coração do homem com argumentações falsas e aliciantes. De facto, na narração do pecado original, o tentador aproxima-se da mulher, fingindo ser seu amigo e interessar-se pelo seu bem. Começa o diálogo com uma afirmação verdadeira, mas só em parte: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?» (Gn 3, 1). Na realidade, o que Deus dissera a Adão não foi que não comesse de nenhuma árvore, mas apenas de uma árvore: «Não comas o [fruto] da árvore do conhecimento do bem e do mal» (Gn 2, 17). Retorquindo, a mulher explica isso mesmo à serpente, mas deixa-se atrair pela sua provocação: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Nunca o deveis comer nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis”» (Gn 3, 2-3). Esta resposta tem sabor a legalismo e pessimismo: dando crédito ao falsário e deixando-se atrair pela sua apresentação dos factos, a mulher extravia-se. Em primeiro lugar, dá ouvidos à sua réplica tranquilizadora: «Não, não morrereis» (3, 4). Depois a argumentação do tentador assume uma aparência credível: «Deus sabe que, no dia em que comerdes [desse fruto], abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal» (3, 5). Enfim, ela chega a desconfiar da recomendação paterna de Deus, que tinha em vista o seu bem, para seguir o aliciamento sedutor do inimigo: «Vendo a mulher que o fruto devia ser bom para comer, pois era de atraente aspeto (…) agarrou do fruto, comeu» (3, 6). Este episódio bíblico revela assim um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.
De facto, está em jogo a nossa avidez. As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável, não tanto pela lógica de partilha que carateriza os meios de comunicação social como sobretudo pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As próprias motivações económicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em última instância, nos torna vítimas de um embuste muito mais trágico do que cada uma das suas manifestações: o embuste do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração. Por isso mesmo, educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem «mordendo a isca» em cada tentação.
3. «A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32)
De facto, a contaminação contínua por uma linguagem enganadora acaba por ofuscar o íntimo da pessoa. Dostoevskij deixou escrito algo de notável neste sentido: «Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega a pontos de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo» (Os irmãos Karamazov, II, 2).
E então como defender-nos? O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceptual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. A verdade não é apenas trazer à luz coisas obscuras, «desvendar a realidade», como faz pensar o termo que a designa em grego: aletheia, de a-lethès, «não escondido». A verdade tem a ver com a vida inteira. Na Bíblia, reúne os significados de apoio, solidez, confiança, como sugere a raiz ‘aman (daqui provém o próprio Amen litúrgico). A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único «verdadeiro» é o Deus vivo. Eis a afirmação de Jesus: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). Sendo assim, o homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: «A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32).
Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal; mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca. Além disso, não se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De facto, uma argumentação impecável pode basear-se em factos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polémica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade.
4. A paz é a verdadeira notícia
O melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias. No mundo atual, ele não desempenha apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. No meio do frenesim das notícias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audience, mas as pessoas. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz.
Por isso desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos. Pelo contrário, penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação através do aviamento de processos virtuosos; um jornalismo empenhado a indicar soluções alternativas às escalation do clamor e da violência verbal.
Por isso, inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos:
Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz. 
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não 
cria comunhão. 
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos. 
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs. 
Vós sois fiel e digno de confiança; 
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo: 
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta; 
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia; 
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza; 
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha; 
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade; 
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos

verdadeiros; 
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança; 
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito; 
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade. 
Amen.

Vaticano, 24 de janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano de 2018.
FRANCISCO